
O santo da contra-reforma? O militar obstinado pela ´maior glória de Deus´? O místico dos famosos 'Exercícios Espirituais'? O pobre ´homem do saco´? O peregrino solitário? O mestre do discernimento? O apaixonado por Cristo e por sua Igreja?
Essas são apenas algumas das muitas afirmações sobre Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus. Na época de sua morte, 31 de julho de 1556, mais de mil companheiros já se constavam como seus seguidores. Eles estavam presentes não só na Europa, como também em outros muitos lugares do Novo Mundo e Oriente, inclusive no Brasil.
Mas, como dizer a um jovem de hoje quem foi Inácio de Loyola? E que fez ele nos seus 65 anos de vida, para ser elevado à honra dos altares pelo Papa Gregório XV, em 12 de março de 1622, em cuja bula de canonização afirma que o mesmo ´tinha a alma maior que o mundo´? E, o que podemos aprender de sua experiência?
Apoiando-nos em sua própria Autobiografia, podemos concluir que, até aos 27 anos, Inácio foi um nobre jovem espanhol bem parecido com os da sua época, e de nível social voltado para batalhas entre cavaleiros e as grandes festas dos palácios reais, não medindo esforços para conquistar o coração das donzelas da corte. Ele mesmo confessa ter sido esse tempo de sua vida cheio de ´leviandades juvenis´ e ´peraltices de rapazes´, pois que era ´propenso às vaidades do mundo´ e tinha um ´grande e vão desejo de alcançar honra´. Uma juventude muito semelhante à de tantos jovens de nosso tempo moderno, não?
Foi, então, em uma dessas batalhas que, atingido por estilhaços de uma bala de canhão, teve uma de suas pernas quebradas, necessitando passar um longo tempo em repouso, sem poder andar. Procurou passar o tempo lendo o que mais lhe agradava: romances e aventuras de cavalaria. Mas, na casa de sua cunhada, onde se recuperava, só havia livros religiosos: os Evangelhos e um livro sobre a vida dos santos. Meio contrariado, começou a lê-los, por falta de outra opção. E é a partir daí que, progressivamente, sua vida iria mudar para sempre, pois Deus o tocou profundamente através dessas leituras, levando-o a apaixonar-se pelo testemunho daqueles santos e pela própria vida, mensagem e pessoa de Jesus Cristo. Seu maior desejo, de agora em diante, seria seguir os passos do seu novo ´Rei´, servindo-o pelo resto de seus dias. Toda essa experiência mística, ele a deixou registrada por escrito em um pequeno caderno, que daria mais tarde origem aos famosos 'Exercícios Espirituais', fonte de benção e graças na vida de muitos jesuítas, sacerdotes, religiosos, bispos, leigos e leigas da nossa Igreja, até aos nossos dias.