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EM MEMÓRIA AO PE. LUCIANO CIMAN, SJ
ARTIGOS - quinta-feira, 23 de agosto de 2007 22:58 por Redação
Pe Luciano Ciman, SJ
* Vicenza [Itália], 18 de Outubro de 1926.
+ Belém – PA, 23 de Junho de 2007.

Luciano Ciman entrou na Companhia de Jesus – Jesuítas - aos 7 de Setembro de 1942 em Ionigo. Estudou Filosofia em Gallarate nos anos de 1947-1950. Depois de um breve serviço no Colégio de Arici de Brascia, em 1951 veio ao Brasil. Fez Teologia no ‘Cristo Rei’ na cidade de São Leopoldo [RS] e ali foi ordenado a 12 de Dezembro de 1956 pelo Cardeal Vicente Scherer.
Dois anos mais tarde foi chamado à Itália para acompanhar o Pe. Mason nas peregrinações de Nossa Senhora de Fátima [La Madonna Pellegrina]. Foi convidado porque Pe. Luciano foi um grande animador das peregrinações de Nossa Senhora. Ele sempre lembrava quando, de helicóptero, passou por cima da cidade de São Giovanni Rotondo onde vivia o Pe. Pio.
De volta ao Brasil, foi trabalhar no Colégio Vieira na cidade de Salvador – BA. Depois trabalhou no Colégio Diocesano – Teresina [PI] onde foi Reitor duas vezes. Mais tarde, assumiu a direção do Colégio Santo Inácio de Fortaleza – CE. E ainda reitor do IPA de Cachoeiro do Itapemirim.
Pe. Luciano chegou à Belém do Pará no ano de 1992 como superior da comunidade dos jesuítas e ‘prefeito’ da Capela de Lourdes até o ano de 2006 quando foi transferido para a cidade de Baturité-CE para ser o administrador da Casa de Retiros de lá. No mesmo ano de 2006, Pe. Luciano completou os seus 80 anos de vida e 50 de sacerdócio. Para celebrar essas importantes datas ele fez questão de vir à Belém. Foi realmente uma grande festa. Pois o tempo que passou em Belém ele percebeu a grande cordialidade, o carinho e a generosidade dos paraenses.
Isso se manifestou mais estreitamente em ocasião de sua doença que manifestou-se quatro dias depois da grande festa. O diagnóstico: um tumor no cérebro que em seis meses exatos o levou para a Casa do Pai. Parecia que Deus tirava das mãos dele a ferramenta de trabalho, dizendo: agora tu voltas para casa...
Aqui em Belém foram seis meses de muita tristeza, porém maravilhosos pelo espetáculo da caridade, do carinho, da generosidade, da presença e da oração dos amigos e amigas da Capela de Lourdes. Tudo acompanhado pela oração do Rosário, sem fim.

Como seu amigo de caminhada na Companhia de Jesus vou expressar o que percebi de sua personalidade e espiritualidade: antes de tudo transparecia a sua dedicação à vocação e missão sem vacilos. Estava sempre alegre e disponível. Desde os estudos sempre foi um dos chefes da ‘baderna’. E por esta alegria, fruto da oração e autodomínio, valorizava o lado bom de qualquer pessoa. E foi o que mais o fez conquistar amigos.
Sempre a Companhia confiou ao Pe.Luciano tarefas difíceis. Ele costumava dizer: ‘-me chamam onde há trabalho; isso são problemas que nem todos sabem enfrentar ‘. Isso revela a grande carga de valores que Deus lhe deu. Eu o definia como aquele que ‘nasceu para governar’, possuía carisma para isso e a gente se sentia seguro debaixo da direção dele.
Sua missão contemplava o lado espiritual e material, organizativo e o que mais contou sempre foi o serviço da missão sacerdotal. Pe. Luciano ficava triste ao ver sacerdotes se ocuparem de tantos trabalhos que os leigos podiam fazer.
Nós admiramos o zelo dele pela oração, pelo catecismo, pelas adorações ao Santíssimo Sacramento, pelas vocações, pelos encontros sobre Bíblia, pelos Exercícios Espirituais – e por isso construiu diversas casas de retiros -. Além das excursões pela Terra Santa e a presença nos meios de comunicação social.
A caridade de Pe.Luciano para com os pobres, ainda que sóbria, era muito séria. Ele não costumava fazer lamentações dos males do Brasil e menos ainda berrava pelos problemas sociais; mas quem se tornava amigo dele sentia o dever de ajudar os pobres. A única manifestação visível era a campanha pela cesta de natal que a cada ano aumentava o volume de doações.
Entre os ouvintes que acompanhavam as meditações do Pe. Luciano pelo rádio, sobretudo o Programa ‘Cura-me, Senhor’, estavam muitos sacerdotes de Belém e também do interior do Pará.
Espero que estas reflexões sejam suficientes para dar uma idéia de quem era Pe. Luciano Ciman para nós. De alguma forma, sua memória nos ajuda a preencher a ausência de sua companhia.

Rezemos para que Deus nos mande outros sacerdotes como era o Pe. Luciano.

Fraternalmente,
Pe. Luis Rossini, SJ

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