Transcrição da matéria feita pelo jornalista Emerson Quaresma para o jornal A CRÍTICA, em 27 de setembro de 2008:

O futuro da Amazônia tem como seus principais responsáveis os legisladores dos nove países que compõem o seu território. A afirmação é do padre Roberto Jaramillo, superior regional das Missões Jesuítas da Amazônia. Jaramillo e outros religiosos dessa ordem estão em Manaus participando da 17ª Assembléia da Conferência dos Provinciais da Companhia de Jesus [Jesuítas] da América Latina [CPAL]. O encontro dos jesuítas latinos americanos iniciou na última segunda-feira e encerra-se hoje, no Centro de Formação Laura Vicunã, na avenida André Araújo, Aleixo, Zona Sul.
O superior regional das Missões Jesuítas da Amazônia disse que a cada grupo, a cada nação cabe um tipo de responsabilidade diferente de tomar decisões. Jaramillo avaliou que a Amazônia com uma extensão continental, exige responsabilidade maior dos legisladores, de todos os nove países que compõem essa região [Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa], e de pensar uma legislação que contemple a todos, respeitando a diversidade.
'Amazônia é tão grande que todo esforço de diálogo será pouco entre Igreja, Estado, povos indígenas, ribeirinhos e os marginalizados urbanos. Mas, não é só o diálogo internacional que resolverá os problemas da Amazônia. É necessário maior diálogo intra-nacional e intra-regional. Tem que passar pelos direitos e deveres de todos, brancos e índios e povos tradicionais', disse o religioso.
Celereiro da diversidade
Para Roberto Jaramillo, a escolha da Amazônia como local da reunião dos Jesuítas latino-americanos, com a presença do superior dos Jesuítas no mundo, Adolfo Nicolás, é um jeito de dizer que a Amazônia é um celeiro da diversidade à qual a companhia se interessa pela situação dos povos amazônicos. 'Também pela ética e transparência no processo político', disse padre Roberto Jaramillo.
Uma das preocupações refletidas pelos Jesuítas no encontro, segundo Jaramillo, é o problema da migração na América Latina em deslocamento forçado, ou por problemas políticos ou catástrofes naturais. Os casos mais preocupantes são a população do Haiti, na América Central, que sofreu com o furacão Gustav, no mês de agosto.
Na América do Sul, a atenção dos Jesuítas está voltada aos refugiados colombianos, que entram no Brasil por Tabatinga, chegam a Manaus e seguem para outros Estados brasileiros. 'Há muitos migrantes colombianos que se deslocam de maneira forçada para Manaus, alguns pela questão política, outros fugindo da guerrilha', disse.