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FRANCISCO XAVIER: 0 APÓSTOLO INCANSÁVEL
ARTIGOS - terça-feira, 11 de abril de 2006 09:29 por Redação
07 de abril de 2006:
500 Anos do nascimento de São Francisco Xavier, o padroeiro das missões.
[*07/04/1506 + 03/12/1552]

Há quinhentos anos atrás, neste dia nascia em Xavier, região da Navarra, o menino Francisco. Não era tempo de muitas comemorações: aquele pedaço da Espanha era disputado pelos reinos da França, de um lado, e de Castela, pelo outro. Prevaleceram os partidários da unificação espanhola, e a orgulhosa mansão da família Xavier foi semidestruida. Ao caçula Francisco, excluído da carreira das armas, só restava o caminho dos estudos e do clero. Foi a Paris. Na universidade da Sorbona, juntamente com o grau em Teologia, ganhou um companheiro, Inácio de Loyola, que o encaminhou para glórias muito diferentes daquelas sonhadas: alias, para a “Maior Glória de Deus”. E para esta glória – desprezível aos olhos do mundo - deixou até a Europa rumo às Índias recém descobertas.
A sua epopéia missionária encheu de admiração seus contemporâneos.
Destinado à evangelização da Índia, entreposto comercial de Portugal, desenvolveu em Goa uma intensa atividade organizativa. Não satisfeito, foi ao Sul da Índia para converter ao cristianismo a pobre população do litoral, lançando as bases da única região de prevalência católica do país, o Kérala. E, seguindo os comerciantes portugueses, chegou às Molucas: mas enquanto aqueles permaneciam na área de segurança, Francisco Xavier, desprezando todo o conselho de prudência, lança-se na descoberta e conversão das Ilhas mais longínquas da atual Indonésia. Casualmente encontra um japonês que, instruído pelo apostolo se torna cristão: é o suficiente para sonhar outra empresa arriscada, a evangelização do Japão. Impaciente na execução deste projeto, não aguarda mais tempo e embarca no junco de um corsário chinês. Durante a viagem a embarcação é açoitada por um tufão, que arrasta para morte a jovem filha do comandante, no meio do desespero da tripulação. Enfim, milagrosamente, avistam a costa do Japão. Seguirão dois anos de um sofrido trabalho missionário. A humildade e a pobreza evangélica no Japão são sinônimos de covardia e fraqueza. Francisco Xavier percebe que se encontra num mundo totalmente diferente do europeu e não hesita em enveredar por caminhos totalmente novos: Tornar-se á o embaixador da cultura ocidental. Seu zelo e sua perseverança produzirão frutos surpreendentes. A jovem cristandade, fundada pelos Jesuítas, contará em breve um milhão de adeptos[ o dobro da atual população católica japonesa!].
E Xavier está novamente em Goa. Recebe de Roma novos companheiros de ideal, precioso reforço para robustecer a estrutura da igreja indiana. Depois de poucos meses de estadia, já parte para uma nova destinação: a China, o país mais adiantado do Oriente, mas proibido aos ocidentais. Não importa, seu zelo despreza os perigos mortais; ele quer agora anunciar a Boa Nova aos sábios chineses. A sua ousadia, desta vez nos mesquinhos interesses comerciais dos portugueses e nas draconianas leis da China. O “Apóstolo do Oriente”, sozinho numa ilhota frente à China, prostrado pela febre e a desnutrição, entrega o seu generoso espírito a Deus na fria madrugada de três de dezembro de 1552.
Xavier tinha 46 anos. Enterrado a milhares de quilômetros da Europa, era de presumir-se que sua memória se extinguisse brevemente. Deu-se o contrário: Para a Igreja seu nome tornou-se o símbolo de uma nova era missionária. O exemplo de seu zelo levará centenas de arautos do Evangelho para todos os continentes do mundo. Sua coragem é um estímulo para todos, mas principalmente para seus companheiros de Ordem, os Jesuítas, que não medirão esforços para aumentar as fronteiras do Reino de Deus. Logo proclamado Santo – em 1612- São Francisco Xavier tornou-se o Padroeiro da Capital do Brasil - Colônia, Salvador. Em 1657- i.é. cerca de 350 anos atrás – os Jesuítas fundam os primeiros núcleos cristãos de Manaus, no Rio Negro e em Taruma. Em 1752, sua última fundação na Amazônia é dedicada à memória do grande missionário: São Francisco Xavier do rio Javari. Expulsos os Jesuítas três anos depois, a missão entrará em decadência: os habitantes remanescentes fundarão então uma nova aldeia, são Francisco Xavier de Tabatinga. Em suma, a assinatura do Apóstolo do Oriente nos extremos confins do Ocidente e do Brasil.


Padre Luís Muraro,sj
Historiador, missionário jesuíta italiano,
trabalhando na Amazônia há 30 anos.



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